terça-feira, 22 de abril de 2014

Sobre um fim

Hoje o celular não tocou as 6h da manhã com você me dando "bom dia" e dizendo que está com preguiça de levantar. Também não vibrou as 6h30 com você dizendo para eu parar de ser dorminhoca e levantar da cama para não me atrasar. As 7h não recebi a mensagem de "to indo pra academia" e as 8h30 não me falou "estou indo para o escritório".

Cheguei 15 minutos atrasada no trabalho hoje. Não, não foi porque não consegui acordar. Na verdade nem consegui dormir. Quando cheguei na minha mesa, olhei para o celular e lá não havia "e aí, chegou? bom dia de trabalho para nós dois :)".  

Não sei o que você almoçou, se está com muito trabalho, se teve que ir ao Fórum levar alguns processos ou se a secretária fez outra cagada e você está bravo por conta disso. Não tenho ideia que horas vai chegar em casa hoje e o que vai fazer depois que tomar banho e jantar. Você foi para a faculdade?

A última ligação do dia não vai ser mais a minha e as suas mensagens não estão mais na minha caixa de entrada. 

Nada disso pertence a mim agora, nada disso tem a ver comigo. 

Depois de quase 10 meses, 286 dias e mais de 500 ligações, acabou.

Tentei encontrar uma música que representasse os meus sentimentos agora, afinal, sempre há uma música certo? Mas hoje não teve. O silêncio prevaleu, assim como os segundos finais da nossa última ligação. 

Pareço um tanto dramática agora, mas há momentos na vida que é preciso tomar decisões duras, daquelas que a gente nunca quer tomar. Eu, por exemplo, não queria.

Não queria ter aquela conversa séria, e dizer que não aguentava mais seguir daquele jeito. Não queria dizer que cansei de esperar por algo que provavelmente nunca ia acontecer. Na real nem é a espera, mas o que há no final dela. E eu não ia suportar uma frustração, não depois de tanto tempo.

Só queria dizer que você foi o primeiro menino que eu gostei de verdade. O primeiro que desejei que estivesse ao meu lado. O primeiro que sonhei e que fiz planos. E foi o primeiro que me machucou e que me fez chorar.

Nós não vamos mais a um grande show juntos. Não vou te mostrar São Paulo e você não vai me ensinar a fazer chimarrão.

Aquilo que eu tanto esperei, não chegou. Hoje parei de olhar pela janela.



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